O MUSEU DA CACA depois dos museus que valem a pena.
Vila Viçosa é linda. Cheia de mármore e uma dimensão modesta nas casas que contrasta com a riqueza do material que as cobre e do tempo que já conta.
Esqueço-me sempre que esta terra é tão antiga.
Lá fui ao Paço Ducal, residência desde o século XIV dos duques de Bragança, impecavelmente mantido, pela fundação do mesmo nome (e suponho, da mesma gente...). Vai-se a trote pelos salões, guiados por gente, obviamente pro-monárquica "Esta sala é dominada pelo quadro com a imagem do Rei D. Carlos" - e era verdade, lá estava ele, pintado. MUITO mais magro do que se conhece das fotografias. E até bonacheirão, calculando-se que a coisa tenha sido retratada antes de se tomar de amores pelas cartucheiras, comezainas e mania de pintar navios, enquanto a mulher, D.Amélia, do alto do seu 1.86m, se entretinha como podia- "Todos já reconheceram, a figura da raínha que introduziu o chá na corte Inglesa..." - ninguém, ou quase, o tinha feito, mas isso não o deteve, benza-o Deus e o PPM... "Uma senhora linda" - Pausa aqui para confessar que ou o conceito de beleza varia muito, de pessoa para pessoa, ou Catarina de Bragança era uma beldade... digamos... do tipo Almodovar... - e por aí adiante). Brincadeiras ao largo, vale sempre a pena ver aquele maravilhoso edifício, com todo o seu recheio. E perceber que os "tesouros incalculáveis" que nos são mostrados só podem ser de nós todos. Pois foram os avós dos nossos avós que suaram e morreram para que alguns pudessem laurear a pevide entre os tapetes persas. Adiante.
Foram 5 euros bem dados.
No dia seguinte fui até ao castelo, ver o museu de arqueologia. Comprei, sem querer, bilhete para o museu da Caça (já sem cedilha, numa das placas). O museu de arq. tem um extraordinário espólio, fruto de recolha e doação de toda a região. Os achados são agrupados por zonas de "achamento" e vão dos primeiros povoamentos, até ao século XVI. Claro que a exploração está nas mãos da mesma fundação. Que mantém tudo limpo e bem catalogado.
Infelizmente, a visita é guiada por um velhote, tatebitate, obviamente alfabetizado, já que, enquanto OBRIGA as pessoas a seguirem-no (não deixando ler a informação jazente ao lado das peças) sempre vai largando: "Isto são pontas de seta. Achadas na herdade dos Pardais" ou coisa que o valha e por aí adiante. Quando protestei, fui remetido para "ordens dos patrões" que não podem deixar ninguém à solta. No final de 20 minutos de frustração, fomos postos na rua deste sítio e enfiados numa sala atroz cheia de pássaros mortos e caçadeiras com torneados de prata. Pedi que me dispensassem e fui protestar à entrada dos museus. Aí, foram amáveis e outra pessoa foi de novo comigo VER TUDO. Daí que vá avisando: vão a Vila Viçosa, vejam o museu de arqueologia, mas DIGAM QUE SÓ QUEREM VER AQUELE. Com sorte, alguém vos deixará ler as informações laterais e apreciar o espantoso número de artefactos.
ps: se não resultar, peçam o livro de reclamações. É magia que acontece.
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